:: Dia 08/07 - entrevista do Fragmentos Urbanos no AllTV.
:: Para quem não viu a exposição ainda dá tempo. O endereço é Pizzaria Brandi, rua Treze de Maio, 555, no Bixiga.
:: Logo mais, publicaremos o making off da exposição e as imagens feitas no Mercadão de São Paulo
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Saída MERCADÃO
Esse texto serviu de inspiração para uma saída fotográfica no Mercadão de São Paulo.
À Procura
Novamente acordo em sobressalto – olho para o relógio, que anuncia mais três horas de sono restantes. Viro-me como de costume, tentando abraçar você e encontro o vazio. O mesmo vazio que me atormenta desde que partiste. Noite após noite, roubando-me minutos, horas, que já somam dias, um mês... Um mês – e agora mais três horas - de sono perdido, de lágrimas, lembranças, saudades...
Assombra-me o fato de já estar me habituando ao ritual típico destas noites interrompidas – vagar pela casa, abrir janelas, procurar uma estrela cadente, procurar seu rosto no escuro da noite, procurar respostas... Mesmo sabendo que nada disso vou encontrar, insisto. Minha cabeça dói; abro gavetas do criado-mudo, da cômoda – deve ter um analgésico em algum lugar... Mas o que acho é uma pequena caixa com seu nome gravado, que nunca tinha visto antes. Como pode ser? Eu tinha certeza que já havia tirado do meu alcance todo e qualquer indício da sua presença nesta casa. Só não tinha conseguido apagar da minha mente e do meu corpo as tuas marcas. Talvez porque ainda não queira. Talvez seja cedo. Ou tarde demais.
Pego a caixa; meu estado de consciência, cada vez mais alterado, me faz derrubá-la no chão. Ao cair, ela se abre espalhando fotografias em leque, como um maço de baralho. Todas estão viradas para baixo, exceto uma, que retiro para examinar mais de perto. Não me parece familiar. Viro freneticamente as outras e talvez meus olhos duplamente vermelhos pela falta de sono e abundância de choro estejam enganados, mas em todas estas reconheço-te, mesmo estando teu rosto praticamente sem definição. Como se alguém tivesse passado uma borracha só sobre ele. São todas fotos que me remetem aos nossos melhores momentos... Mas de onde vieram? Eu não me lembro de ter tirado nenhuma delas...Nem mesmo de tê-las visto antes... E o que aconteceu com o seu rosto? O que isso quer dizer?
Alguém está brincando comigo ou tentando me dizer alguma coisa. O tormento é cada vez maior. Pego novamente a foto que caiu virada, em busca de respostas. Talvez ela seja a chave para este mistério.
É a foto de um grande mercado; várias bancas de frutas, queijos, embutidos; muitas pessoas circulando e comprando nas bancas. Um lugar que nunca fui. Tento identificar você entre tantos, mas é impossível. Tento entender o porquê desta foto junto com as outras. Assim como tentei em vão descobrir o que aconteceu com você desde aquele dia – quando desapareceste.
Ando de um lado para outro, o alarme toca - já se passaram as três horas - o dia amanheceu, eu não dormi mais. Levo as fotos para a luz do sol, quem sabe você apareça... Efeito contrário, o borrão sobre seu rosto vai se apagando, agora teu corpo também começa a ser consumido pela luz... Assusto-me – isso é bruxaria, magia, ou estou enlouquecendo?
Pego novamente a foto do mercado. A resposta está nela. Preciso ir neste lugar. Você só pode estar lá. É isso! Você está lá!
Já dentro do enorme prédio, vou esbarrando nas muitas pessoas, as quais examino detalhadamente em busca de algum sinal que pareça seu. Minha loucura é tanta que já não discrimino se homem ou mulher; qualquer pessoa se torna alvo da minha observação. Procuro identificar seu jeito de andar, de descansar os braços ou gesticular ao conversar. O olhar fixo de repreensão quando eu incomodava, ou o olhar indiferente da maior parte dos nossos momentos. A risada rara, mas intensa; o cansaço do trabalho duro; o riso despretensioso quando ciente do meu flagrante a te admirar.
Sigo perseguindo outras pistas: talvez estivesse dentro de alguma banca, comprando ou trabalhando... Qual seria? Você preferiria vender frutas ou queijos? Empunhar um facão num açougue ou pesar maçãs numa balança? Chamar os fregueses para dentro ou contar notas no caixa?
Começo a sentir fraqueza, muita fraqueza... Meus olhos cansados de ver tanta gente e ninguém. Só agora eles resolvem observar o espaço ao meu redor e então vejo uma escada que leva a um mezanino. Um ângulo de visão maior. Subo. Olhando para baixo, lembro-me da fotografia que me trouxera até aqui. Quase a mesma imagem. Naquela, as bancas e as pessoas pareciam menores. Volto à questão que me atordoou: de onde veio esta foto? Foi você quem a tirou? Entrou na nossa casa e colocou-a naquela caixa? Por que?
Então, de repente, meus olhos te reconhecem acenando para mim e correndo... Disparo escada abaixo, não posso perder de vista a tua imagem, mas já confundo tuas pernas com tantas outras que vão passando... Algumas pessoas me olham com cara de espanto, outras parecem apenas preocupadas, mas não ligo... Onde você foi, não desapareça novamente, por favor, não me deixe aqui...
Abro os olhos – rostos desconhecidos me encarando. Gente jovem, gente velha, gente feia e gente bonita. Gente mal vestida e gente bem vestida. Gente passeando e gente trabalhando. Todos em pé e só eu no chão. Depois de atravessar esse paredão de gente, meus olhos seguem na direção do teto. Finalmente te encontro. Livre, observando toda essa gente. E então, entendo tudo. Agora posso voltar para casa em paz.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Azul, Vermelho e Amarelo
Nossa trilogia das cores não é inspirada na bandeira francesa.
Com azul, vermelho e amarelo como direção do olhar, fotografamos em Santos, local escolhido para saída fotográfica. Mesmo com planejamento, uma margem para o inusitado e para o acaso. O nosso percurso foi moldado pelo momento, o agora. Isso foi fator deciso para imagens, pois vasculhamos cada canto a procura das cores. A jornada começou no amanhecer e só voltamos para casa quando escureceu.
Com azul, vermelho e amarelo como direção do olhar, fotografamos em Santos, local escolhido para saída fotográfica. Mesmo com planejamento, uma margem para o inusitado e para o acaso. O nosso percurso foi moldado pelo momento, o agora. Isso foi fator deciso para imagens, pois vasculhamos cada canto a procura das cores. A jornada começou no amanhecer e só voltamos para casa quando escureceu.
Alguns dos nossos registros podem ser vistos no nosso flickr. Acessem!
A trilogia das cores em Santos - Making Off
Saída Fotografica em Santos - dia 29/03 Fragmentos Urbanos
Macro na Cantareira - Making Off
Fragmentos Urbanos - Saída fotógrafica para o Parque Estadual da Serra da Cantareira no dia 15/03
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
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